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terça-feira, 10 de agosto de 2010

..:Cardápio:..

A dica de leitura de hoje é o livro Eu não sou cachorro, não, dissertação de mestrado do baiano Paulo César de Araújo, sobre música cafona e ditadura militar.

Mas, antes de ler este livro, é preciso livrar-se de rótulos e estigmas no que diz respeito a música "brega". Termo que o autor usa sempre entre aspas, já que se trata de um modo pejorativo de se referir a essa produção musical.
Em plena ditadura militar, momento em que a MPB demonstrou engajamento político, paralelamente ao surgimento de estruturas mais experimentais na música, influenciadas pelo tropicalismo, o que não fazia referência ao contexto atual, era taxado de alienado.
No entanto, o autor quer mostrar que as dimensões da ditadura militar não eram uma realidade tão próxima de todos, como se parece.
Esses artistas da música "cafona" vinham de realidades muito distintas da maioria dos músicos que se consagraram no período. Eram desprovidos de informação, vinham de outro meio social e trabalhavam pelo pão de cada dia.
Ainda que tenham sido censurados, como é o caso de Odair José e a música "Pare de tomar a pílula", muitos desconheciam o verdadeiro certame daquele período.
Mas como frisa o autor, esse artistas "bregas" tiveram sua relevância ao representaram uma classe renegada, como as empregadas domésticas, os homossexuais, as prostitutas e os trabalhadores de um modo geral.


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

..:: Jukebox ::..

Coroado pelo público


No próximo dia 16 de agosto fará 33 anos da morte de Elvis Presley. Considerado “O Rei do Rock’n’Roll”, sua gravação de “That’s All Right, Mama” nos estúdios da Sun Records em 1954 é considerado o marco zero do gênero. Segundo Sam Phillips, proprietário do estúdio, Elvis era um “branco com a voz de um negro” e essa descoberta rendeu alguns trocados para Phillips que o vendeu para a RCA Victor. O resto da história é a construção do maior mito da história do século XX, um homem que de simples caminhoneiro se tornou o líder de uma revolução comportamental e cultural como nunca havia visto.

Até agosto de 1977 vendeu 600 milhões de discos. Após sua morte é estimado que a venda de seus discos dobrou, sendo considerado o maior vendedor da indústria fonográfica, estrelou 31 filmes e 2 documentários, sua mansão em Memphis, a “Graceland” é patrimônio histórico dos Estados Unidos e também o 2º lugar mais visitado do país, perdendo somente para a Casa Branca.

Elvis teve uma carreira de altos e baixos, estrelou filmes excelentes (como "King Creole", "Jailhouse Rock”, "Wild In The Country"), outros medíocres (“Speedway”, “Double Trouble”, “Camblake), seu empresário, conhecido como Cel. Tom Parker não deixava Elvis fazer turnês fora dos EUA. Só após a morte de Parker soube-se que ele era um imigrante ilegal holandês e por isso Presley não fez shows fora da América, a não ser alguns shows no Canadá na década de 50. Em 1967 Elvis ganha um Grammy por seu disco gospel “How Great Thou Art”, o começo de seu retorno aos holofotes, mas sua consagração veio em 68 com o especial para a rede de televisão americana NBC, conhecido como “Comeback Special”, mostrando Elvis no auge da forma e em performances sexy e intimistas, tudo o que Tom Parker não desejava. Começa o retorno triunfal de Elvis Presley, coroado em 69 com o “hit” “Suspicious Minds ", 1º lugar nas paradas por várias semanas e com sua volta aos palcos em 69 , no International Hotel em Las Vegas, quebrando recordes de público e deixando lendas da cidade, como Frank Sinatra, no chinelo.

Após o retorno, Elvis gravou diversos discos sem parar e um dos destaques é “Raised On Rock”, lançado em outubro de 1973. Amado por alguns e odiado por muitos, talvez seja um dos melhores discos de Elvis na década e um modesto sucesso comercial, já que Elvis tinha acabado de fazer o primeiro show via satélite para o mundo: o “Aloha From Hawaii” e outro destaque do disco é a volta de Jerry Leiber e Mike Stoller nas letras. Para quem não sabe, Leiber & Stoller foram a principal dupla de compositores de rock nos anos 50, muito antes de Lennon & McCartney, Jagger & Richards, Plant & Page e são autores de alguns hinos do rock, como “Jailhouse Rock”, “(You’re So Square) Baby I Don’t Care”, ”Hound Dog”, etc. Só por isso já vale a pena ouvir “Raised On Rock”:

Capa de "Raised On Rock".

1. Raised on Rock (James): Elvis retoma a parceria com Mark James, autor de Suspicious Minds. A letra faz um panorama histórico do rock até o momento, citando de Chuck Berry a Beatles, um ótimo começo para um álbum.

2. Are You Sincere (Walker): Canção romântica, em que Elvis demonstra todo seu poder vocal, mostrando porque ele é absoluto.

3. Find out What’s Happening (Crutchfield): Country agitado e com guitarras precisas, mas acaba sendo um "tiro n’água".

4. I Miss You (Sumner/Sumner): Outra linda balada, terna, suave e gostosa de ouvir, com arranjo vocal de “J.D. Sumner Stamps Quartet” (grupo vocal gospel que acompanhava Elvis nas turnês) fenomenal.

5. Girl Of Mine (Mason/Reed/Reed): Uma bela e animada canção country aos moldes das gravadas anteriormente por Elvis, só que com uma letra extremamente alegre, que ou deixa os ouvintes com vergonha ou contentes por estarem escutando uma pequena “jóia’.

6. For Ol’ Times Sake (White) : Composição do grande “blues & country-man” Tony Joe White, pouco conhecido no Brasil e com certeza o ponto alto do disco, uma canção de amor maravilhosa, sobre a separação de um casal e sem dúvida uma das mais lindas já escritas.

7.If You Don’t Comeback (Leiber/Stoller): O retorno de uma antiga parceria,com uma pegada mais funk que poderia ter resultados melhores, mas é morno e não lembra nem de longe os velhos clássicos dos 50’s.

8.Just A Little Bit (Bass/Brown/Gordon/Gordon/Thorton/Washington): Um dos rock's mais vigorosos e fortes gravados por Elvis nos anos 70 ,extremamente sensual ,com um baixo marcante e uma fúria vocal de Elvis. Foi gravada por Jerry Lee Lewis também.

9.Sweet Angeline ( Arnold /Martin/Morrow): O ponto baixo do disco, gospel, lento ,esquecível ,mas com uma linda letra e arranjo vocais primorosos .

10. Three Corn Patches (Leiber/Stoller): Mais uma da dupla, que até relembra os antigos clássicos, mas não é nada marcante. Possui uma versão bem mais interessante de “takes” que deram errado, lançados anos depois.

Raised On Rock é apenas mais um álbum para a carreira de Elvis Presley, morto em agosto de 1977, vitima de uma arritmia cardíaca. Um homem simples, que se tornou “Rei” e nunca perderá sua majestade.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

..:: Cardápio ::..

Buenas...


Pois é gente... Passou-se uma semana desde meu último post, e o frio continua não dando trégua. Que tal relembrar, com um bom livro, nossa infância e adolescência? Boa ideia para aqueles que, como eu, estão passando por um momento de falta de $$$... Quero dizer, falta de tempo!

Brincadeiras à parte, espero poder prestar uma justa homenagem a uma série de livros que marcou gerações nos anos 1970, 80 e 90. Hoje, senhoras e senhores, falarei sobre a coleção de publicações da Editora Ática que, para muitos, foi a primeira experiência com a literatura. Apresento-lhes a Série Vagalume.

Possuindo uma coleção respeitosa, de mais de cem livros, a série destaca-se pela leitura fácil, tendo em vista que é voltado ao público juvenil, álém de possuir uma série de exercícios, ao final de cada obra, para estimular a compreenssão e interpretação dos jovens leitores. Um marco na época, o que a fez ser largamente utilizada nas escolas de ensino fundamental é médio.

Você que tem, pelo menos, vinte e cinco anos provavelmente já conheceu algumas dessas obras. Livros clássicos, como "A ilha perdida" e "Éramos seis", de Maria José Dupré, "O mistério do cinco estrelas" e "Sozinha no mundo", de Marcos Rey, ou ainda "O escaravelho do diabo", de Lúcia Machado de Almeida, foram verdadeiros sucessos de vendas, estimulando crianças e adolescentes ao hábito da leitura.

Você aí que teve boas recordações ao relembrar sua época escolar, tire seu velho livro da série vagalume da estante, e leia para seu filho. Para os mais jovens, adquiram algum em suas livrarias preferidas, ou pelo site da Editora Ática. Certeza de uma boa leitura, que cativou pais e filhos por décadas.
..:: Prato do dia ::..

Seguindo o gancho do rock and roll, falo agora de outro concerto histórico na terra da garoa.

Puxando agora para um lado mais progressivo, temos um dos maiores power-trio de rock progressivo do mundo.

Com grandes hits e uma longa estrada, a banda Rush se apresentará no dia 8 de outubro, no estádio do Morumbi.

Isso é uma grande oportunidade para os brasileiros, pois o homem das baquetas do trio, Neil Pearl, foi considerado por anos o melhor baterista do mundo.

Sucessos como Tom Sawyer, Fly By Night e YYZ prometem esquentar a noite paulistana.

Os ingressas giram em torno de 160 e 500 reais, podendo ser comprados pelo site http://www.ticketmaster.com.br/, em postos de venda ou no estádio.

Um ótimo show que será inesquecível para seus espectadores.
..:: Prato do dia ::..

Olá!

Como vai você?

Peço desculpas pelo meu atraso de um dia no post dessa semana, pois não tive tempo de escrevê-lo ontem, por motivos pessoais.

Mas, para me redimir, farei dois posts.

Então, lá vamos nós!


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Shows de rock no Brasil costumam lotar estádios desde os anos 80, com a estréia do Rock in Rio.

Há anos, bandas dos mais diversos estilos e tipos vêm à nossa pátria. Segundo alguns artistas, o público da terra da caipirinha, futebol e carnaval é muito receptivo e empolgado.

Não diferente, no dia 6 de outubro, no estádio do Morumbi, a banda comandada por Jon Bon Jovi vem a São Paulo para uma única apresentação.

Prometendo fazer um digno show com o mais puro Hard Rock, Bon Jovi e seus companheiros tocarão clássicos como It's my life, Always, I'll be there for you e algumas das mais recentes, como Have a nice day e We weren't born to follow.

Com uma boa imagem, presença de palco fuminante e o peso e ousadia de quase 30 anos de carreira, a banda promete trazer toda a sensualidade e agressividade aos fãs brasileiros.

Os preços dos ingressos variam entre 160 e 600 reais, mudando de acordo com local de distância do palco, que podem ser comprados pelo site http://www.ticketmaster.com.br/shwArtistaDestaques.cfm?artistaID=426, nos postos de venda da Ticketmaster ou no local do concerto.

Para os apreciadores do bom e velho Hard Rock, é um show imperdível.

sábado, 31 de julho de 2010

'¨.¨ Café Expresso ¨.¨



O Clint Eastwood desconhecido


Clint Eastwood hoje é reconhecido como um dos maiores diretores de todos os tempos, nem sempre foi assim. Eastwood era apenas um coadjuvante da série de televisão “Ranwhide”, quando o diretor italiano Sergio Leone, um desconhecido, o convidou para ser a estrela de um faroeste. O filme estourou no mundo todo, Eastwood ganhou fama e Sergio Leone aclamado como gênio, dando inicio para um gênero de grande sucesso o “spaghetti-western”, mas Eastwood virou lenda nos anos 70 como o policial durão “Dirty” Harry, se tornando uma das bilheterias mais rentáveis da década e um ícone do cinema.

Em 1971 dirige seu primeiro filme “Perversa Paixão” (Play Misty For Me, EUA) e em seqüência dirige sete longas, alguns sucessos de público, nunca de crítica, que reclamava que a fotografia de seus filmes eram escuras e faltava sensibilidade.

Alguns críticos afirmam quem em “Bird” (1988, EUA) Clint alcança a perfeição, talvez um ensaio para essa mudança seja "Honkytonk Man” de 1982.

O filme ocorre durante a depressão econômica pós-crise de 1929 em uma fazenda em Oklahoma, quando Red Stovall (Clint Eastwood) um dos filhos do proprietário retorna. Red ,um "honkytonk man(músico de bordel)",está com tuberculose e foi convidado para uma audição no “Grand Ole Opry” (festival e programa de rádio que revelou Elvis Presley, Johnny Cash, etc.). Muito doente e cansado, Red relutante no início, aceita que seu sobrinho Whit (Kyle Eastwood, filho de Clint e nos dias atuais músico de certo sucesso) seja seu motorista e protegido.Para o garoto ali está a chance de amadurecer, para Red a chance de sua vida.

Com roteiro de Clancy Carlile baseado em seu próprio livro, o filme mostra o crescimento como homem do menino e a redenção de outro, tema muito constante em filmes de Clint Eastwood, que conta também com a fotografia do seu habitual parceiro Bruce Surtees.

Talvez junto com “Firefox”, "Honkytonk Man” seja um dos mais desconhecidos de Eastwood e teve uma fraca bilheteria na época. Uma viagem pelo interior dos Estados Unidos,muito pouco conhecida no Brasil, que narra a tentativa de Red em ser alguém e também, um novo rumo para o cinema de Eastwood que eternamente será o maior durão de Hollywood.



sexta-feira, 30 de julho de 2010

..:: Guardanapo ::..

Buenas...


Hoje é sexta-feiraaaaaaa... Chega de canseiraaaa... Nada de tristeza, pega uma cerv... Ops! Desculpem pessoal, é o "espírito" da sexta-feira. Como preciso escrever, vou exorcizá-lo... Por hora...

Bem, dia de quadrinhos aqui no cafe do bira. Como hoje é sexta, e muita gente não tá querendo nem saber de trabalho agora, vou falar sobre um personagem que sabe tirar de letra situações em que, vez ou outra, somos submetidos no "tranquilo" e "pacífico" ambiente profissional. Falarei um pouco sobre o Dilbert.



Criação do norte-americano Scott Adams, Dilbert pode ser considerado um personagem biográfico. Formado em economia, o cartunista dedicou alguns anos de sua carreira no mundo corporativo dos negócios. Época que, por certo, foi um grande laboratório para que ele criasse Dilbert, considerado pela revista Time uma das vinte e cinco figuras mais influentes do EUA, em 1997.

Por que Dilbert é este sucesso? Ora, porque muitos e muitos profissionais, ao redor do mundo, identificam-se com ele. Com seu humor irônico, ácido, e, como não poderia deixar de ser, extremamente inteligente, Dilbert dá "valiosas" dicas de como se relacionar com seus superiores no trabalho, invariavelmente incompetentes, surpreendentemente comuns.

Bom, você que está aí relaxando, se preparando para o final de semana, dê uma olhada nas tiras do Dilbert. Sem dúvida, você dará boas gargalhadas e chegará a conclusão de que nem tudo no seu trabalho pode ser ruim.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

..::Jukebox::..

Dando seguimento a coluna sobre os "herdeiros do tropicalismo" o nome de hoje é o de um artista bastante peculiar:

Jards Macalé.


Macalé levou a bandeira da canção popular um passo a frente na história da música brasileira, libertando-se do estigma de "baiano tropicalista" para Macalé, carioca da gema.

Bem humorado, ou melhor, engraçadíssimo, soube usar essa habilidade, o que sempre deu a ele um algo a mais... Mas não vou me demorar nas descrições, vou direto ao ponto e falar de um dos seus melhores discos: Contrastes, de 1977.

A faixa título é uma releitura da composição original de Ismael Silva, tão satírica quanto àquele que a regravou:

Existe muita tristeza na rua da alegria
Existe muita discórida na rua da harmonia
Analisando essa história,
Cada vez mais me embaraço
Quanto mais fujo do circo, mais eu encontro palhaço


O disco contrastes mescla diferentes gêneros: reggae (Negra Melodia), choro (Choro do Arcanjo), valsa (Poema da Rosa), marchinha (Passarinho do Relógio), etc etc etc.

Tem ainda um blues, a faixa "Black and Blue", onde Macalé caricatura com excelência Louis Armstrong, e em "Sim ou Não", com o acompanhamento de Jackson do Pandeiro (!), traz toda a malícia do xote.

A faixa que se destaca é o samba de breque "Conto do Pintor", composição de Moreira da Silva e Miguel Gustavo, nela, Jards Macalé destaca seu senso de humor com interpretações incríveis, e recria o cenário com Sérgio Chapelin, Sérgio Dourado e o "Maioral", para não dizer qualquer nome do governo brasileiro (afinal, o Brasil vivia a ditadura militar...)

Um dos melhores discos já produzidos. Jards Macalé soube dar um toque pessoal e tropical às canções antigas, seus experimentalismos trouxeram a tona todo o desconcerto que a nova música brasileira estava descobrindo. Teve papel fundamental na liberdade de criar utilizando recursos sonoros muito variados e originais.

O disco ainda tem a faixa "Cachorro Babucho" composição de Walter Franco.

terça-feira, 27 de julho de 2010

..:: Cardápio ::..

Buenas...


Tudo bem pessoal? O tempo deu uma virada, tá meio frio hoje... Clima ideal para ler um livro, embaixo de alguns cobertores, não acham?

Usando a deixa, vou recomendar um obra bacana, que fala de um período bastante controverso na história recente brasileira. Aproveitando que faço pesquisa sobre o tema, falarei um pouco sobre a ditadura militar. Ou melhor, darei a dica de um livro que fala sobre o papel dos jornalistas e dos censores do regime cívico-militar brasileiro.

Cães de guarda - jornalistas e censores, do AI-5 a Constituição de 1988 (Beatriz Kushnir, São Paulo. Boitempo - 2004) é um trabalho polêmico que coloca novamente à mesa o debate sobre o papel de alguns setores da sociedade civil -sobretudo os jornalistas e os grupos de mídia - no apoio ao "governo militar".



Bom, pra começar, é necessário colocar a expressão "governo militar" entre aspas pois, como Kushnir faz questão de habilmente enfatizar na obra, seria impossível ter um regime nos moldes que existiu, sem o apoio de certos segmentos da sociedade civíl. Dessa maneira, o termo correto aqui seria Ditadura Civíl-Militar.

A autora, Doutora em História Social do Trabalho pela Unicamp, coloca o holofote nos jornalitas que, pretensamente, sempre definiram-se como "agentes da resitência" ao regime civíl militar. Sempre quando o assunto são os anos de arbítrio, muitos jornalistas tendem a ter uma postura de vítimas,respondendo de forma evasiva ao papel da imprensa nos anos de chumbo.

Como faz questão de enfatizar, em vários pontos do livro, Kushnir coloca um freio na generalização, alertando que nem todos os jornalistas contribuíram para o regime. Seja na forma de colaboradores do regime, ou mesmo de jornalistas de carreira que atuaram nas redações dos jornais, Kushnir esclarece que apenas alguns véiculos de imprensa atuaram no suporte ao regime, como é o caso do jornal Folha da Tarde.

Um livro que valhe a pena conhecer, principalmene áqueles que gostam de política. Uma obra interessante que nos ajuda a compreender um tipo de governo que volta e meia se estabelece no Brasil, embora a sociedade brasileira tenha um discurso de que nosso país seja "democrático por natureza". Afirmação puramente retórica, tendo em vista o histórico de regimes autoritários que a república já vivenciou.

Para saber mais, clique aqui.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

.:: Guardanapo ::..




    O homem quase sem medo


A versão de David Mazzuchelli para o Demolidor

O Demolidor talvez seja o personagem mais complexo dos quadrinhos. Criado em 1964 por Stan Lee e Bill Everett, não foi um sucesso imediato como Homem-Aranha, Hulk, Homem de Ferro, mantendo-se assim em segundo plano na Marvel. A revista passava de mãos em mãos, os roteiros eram fracos e o Demolidor que poderia ser o super-herói mais soturno das HQs, vivia histórias ridículas no espaço, inimigos fracos e não se destacava. Isso mudou em 1979 , quando Frank Miller passou a desenhar o titulo e logo em seguida começou a escrever também, trazendo o Demolidor para um ambiente mais urbano, próximo à realidade do leitor, um estilo narrativo diferenciado, misturando a rapidez do mangá, criando personagens secundários fortes como Elektra, pegou um inimigo abobalhado do Homem-Aranha e o transformou em um grande figurão da Máfia e um dos vilões mais amados dos quadrinhos, Wilson Fisk “O Rei Do Crime”.

Após a saída de Miller, o Demolidor se via novamente em um "mato sem cachorro", com sua revista novamente com roteiros fracos, só que o seu jovem desenhista chamou a atenção. Era David Mazzuchelli, um jovem com fortes influências do Impressionismo. Mazzucheli renovou em seus desenhos com experiências gráficas marcantes. Miller foi chamado de volta e pediu que Mazzuchelli continuasse desenhando, dessa parceria se desenvolveu um dos marcos nas HQs de todos os tempos: A Queda De Murdock.

Capa da edição especial de 1986

Intitulada de "Born Again" nos Estados Unidos, em “A Queda De Murdock”, Miller jogou Matt Murdock (alter-ego do Demolidor) na sarjeta, transformado em um homem sem esperança, uma de suas paixões se suicidou, sua empresa de advocacia com o sócio Foggy Nelson faliu, sua namorada Glorianna O’Breen não entende Matt e outra ex-namorada Karen Page, secretária da firma de Murdock e Nelson, que havia deixado a profissão para virar atriz de Hollywood retorna na saga. Frustrada, Karen se torna estrela de filmes pornográficos e junkie, vendendo a identidade secreta do Demolidor para o grande chefão do crime Wilson Fisk, O Rei Do Crime. Começa a saga da queda e ascensão de Matt Murdock.

“A Queda De Murdock” talvez seja a primeira graphic novel a questionar a posição do herói e o tratar da forma mais humana possível, mostrando os mesmos conflitos do público e questionando quanto vale a identidade de um homem.

Publicada no Brasil originalmente pela Abril em SuperAventuras Marvel, também em uma versão encadernada intitulada apenas de “Demolidor” e alguns anos relançada no seu formato original, “A Queda De Murdock” abriu muitas portas para Miller e Mazzuchelli, que se reuniriam de novo e lançariam o clássico Batman: Ano Um pela DC. Vale a pena ler essa que é uma das histórias mais mitológicas dos quadrinhos, um verdadeiro soco no estômago do leitor.