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quarta-feira, 23 de junho de 2010

..:: Jukebox ::.. (parte II)

Já ouviu algo que mistura ritmos latinos com o velho hardcore californiano? Ou rock progressivo com pitadas de dub e blues? Lançado em julho de 2009, o disco Mandala dos RX Bandits apresenta algo novo que só foi possível de acontecer após dez anos de caminhada e evolução musical.

Recheado de misturas rítmicas e singularidade que enriquecem a essência rock da banda, o álbum é composto por onze faixas de tempo consideravelmente longo e que, provavelmente, vão surpreender quem conhece um pouco de rock. A produção conta com vários elementos diferentes entre si, como instrumentos de sopro, teclado, sintetizador e trechos instrumentais. Os vocais são em inglês, mas, como o disco todo é uma surpresa, há partes cantadas no simpático espanhol.

De fato, não é um disco para ser ouvido rapidamente. Como as músicas não são curtas, é preciso que sejam ouvidas com calma e atenção, pois a totalidade da canção é que mostra a complexidade e o estilo do quarteto californiano. Já os chamaram de filhos do Bowie, devido à transformação que o grupo sofreu. Sofreu, não. Provocou! Embora com um estilo novo, algumas características dos norte-americanos foram preservadas, como as letras de cunho social e politizadas, além da agressividade das guitarras.

Canções como March Of The Caterpillar, White Lies e Mientiras La Veo Soñar são, com certeza, repletas de criatividade e psicodelia; e o que não fica atrás é o encarte do álbum, que traz aves tropicais totalmente coloridas em volta de uma bela mulher com os olhos tapados com a bandeira norte-americana. Vale a pena conferir!




..:: Jukebox ::..

Se perguntar a qualquer um o que uma banda recém-formada, com apenas três dias de ensaio, pode fazer numa apresentação ao vivo, essa pessoa, provavelmente, lhe dirá que não muita coisa. Mas não se for o caso de Time Lapse Consortium.

Criado em 2003 com a finalidade de ser um curto projeto musical e formado
por Mike Einziger (guitarra), Jose Pasillas (bateria), Ben Kenney (baixo), Neal Evans (órgão) e Suzie Katayama (arranjos de cordas), o grupo reproduz o melhor do funk e jazz, com influências dos anos 1950 e 1960. Na formação original não há vocal, somente o som instrumental e dançante, exceto na participação especial do vocalista Brandon Boyd, em A Certain Shade of Green e o acompanhamento dos metais e percussão.

A ideia da banda foi do excelente e criativo guitarrista Mike Einziger que,
segundo ele, "sempre quis pintar um quadro com muitas cores diferentes", se referindo às inúmeras possibilidades que uma banda com mais instrumentos oferece.

Depois de algumas apresentações em 2003, o projeto terminou e cada um dos
integrantes tocou seu rumo com seus projetos musicais primários. Mas o interessante disso tudo é que a banda-relâmpago continua a ganhar fãs e seu trabalho, mesmo que curto, ficou marcado e serve de parâmetro quando se fala em jazz, psicodelia e funk de qualidade.

Confira o que registrou a fama de Time Lapse Consortium.


segunda-feira, 21 de junho de 2010

..:: Prato do Dia ::.. (parte II)


Maureen Bisilliat

O Museu de Arte Contemporânea (MAC) realiza mostra de arte feita durante a ditadura militar. O acervo conta com mais de 100 obras de 49 artistas, como Cybele Varela, José Roberto Aguilar, Antonio Henrique Amaral, Nelson Leirner e Mira Schendel.

Entitulada "Entre Atos 1964/68", a exposição tem como objetivo resgatar e mapear as obras produzidas durante o período de repressão. A apresentação é gratuita e vai até o dia primeiro de agosto.

Onde? MAC - USP/R. da Reitoria, 160 - Cidade Universitária.
Tel: (11) 3091-3039.

Quando? Até 01/08.

* Terças, quartas, quintas, sextas e sábados, das 10h às 18h.
* Sábados e domingos, das 10h às 16h.

Quanto? Na faixa!

..:: Prato do Dia ::..

Aproveitando a deixa cinematográfica do ilustríssimo Gabriel:
Já assistiu ao filme "O Pianista"? Aquele que teve 7 indicações ao Oscar e que levou 3 estatuetas! Embora tenha nome de vodka de quinta, Polanski é cineasta de primeira! Além de ter produzido "O Pianista"(2002), produziu filmes como "Tess"(1979), "Chinatown" (1974) e "Rosemary´s Baby"(1968), todos premiados com o Oscar.
Roman Rajmund Polánski nasceu em agosto de 1933, em Paris, e no alto de seus 76 anos, escreveu uma trajétória fantástica na sua atividade.

Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre a vida desse fantástico cineasta, a Cinemateca faz uma exposição sobre suas obras. Com stills dos filmes, cartazes e fotografias, a apresentação ocorre no saguão da sala BNDES da Cinemateca Brasileira e quem conferir poderá ter uma cronologia do trabalho do diretor.

Onde? Cinemateca Brasileira/Largo Senador Raul Cardoso, Vila Mariana .
Tel: (11) 3512-6111.

Quando? Diariamente, de 03/06 a 27/06.

Das 10h às 22h.

Quanto? Na faixa!

sábado, 19 de junho de 2010

..:: Café Expresso::..


O Selvagem Da Motocicleta


Mickey Rourke em cena de "O Selvagem Da Motocicleta" (1983)

Um esplêndido exercício cinematográfico. Podemos falar isso sobre “O Selvagem Da Motocicleta” (Rumble Fish, 1983, EUA) dirigido por Francis Ford Coppola, baseado em um romance de S.E. Hilton. Com roteiro de Coppola e da própria escritora, conta a história de um jovem rebelde sem causa (Matt Dillon), que tem como diversão as brigas de rua e vive à sombra de seu irmão, lendário líder de gangues conhecido como “O Garoto Da Motocicleta” (Mickey Rourke).

Com uma fotografia maravilhosa em preto e branco de Stephen H. Burum, o filme é uma volta ao passado cinematográfico hollywoodiano, com um tema clássico, desde a década de 50: a rebeldia sem causa. O filme mostra um conflito que todo jovem sente entre o mito e a realidade, na medida em que o personagem de Matt Dillon quer ser cada vez mais como irmão, sendo que a verdade é algo totalmente diferente, pois o irmão agora é somente uma sombra do que foi no passado.

Mickey Rourke rouba o filme, com a fala baixa e o olhar para o nada, passa a sensação que estamos vendo o filme da sua forma de observar o mundo (o personagem é daltônico), como uma TV com o som baixo, com apenas duas cores, de maneira quase poética. Dennis Hopper como o pai alcoólatra, também deixa sua marca no filme, que nos remete aos velhos clássicos de Hopper (“Juventude Transviada”, ”Sem Destino”).

Coppola também conta com um elenco de jovens iniciantes, que no futuro deixariam a sua marca, como Nicolas Cage (seu sobrinho), Diane Lane, Chris Penn, Laurence Fishburne (após ter feito “Apocalypse Now” com Coppola), o veterano ator de filmes sobre motociclistas, Willian Smith, e o grande músico Tom Waits.

Outro grande destaque é a trilha sonora marcante de Stewart Copeland (na época, baterista do “The Police”).

“O Selvagem da Motocicleta” é um filme que marcou e ainda vai marcar a vida de muita gente. Um filme que mostra uma jornada sem rumo que muitas vezes, não leva a lugar algum.

..:: Café Expresso ::..

Sidney Lumet:Um Profeta Cinematográfico

Sidney Lumet dirigindo "Um Dia De Cão" (1975)

Sidney Lumet é considerado um dos maiores diretores do cinema em todos os tempos. Lumet fez dois filmes que explicam o poder da mídia sobre o ser humano, principalmente a televisão. Ele já tinha abordado em 1971, em “O Golpe De John Anderson” (The Anderson Tapes), até onde um cidadão é observado, se temos ou não privacidade. Em “Um Dia De Cão" (Dog Day Afternoon ,1975) e “Rede De Intrigas” (Network ,1976) faz duras críticas à comunicação de massa.


Al Pacino é Sonny em "Um Dia De Cão" (1975)

Em “Um Dia De Cão”, dois homens entram em um banco para um roubo, sendo que nenhum dos dois são ladrões. Inseguros, um circo vai se formando em volta do banco, com policiais, imprensa e curiosos. O interessante do filme é como a imprensa transforma tudo aquilo em um show, com uma seqüência chave, em que um entregador de pizza comemora por estar participando do show, ou quando Sonny (interpretado brilhantemente por Al Pacino) sai do banco, faz um discurso e a platéia, formada por curiosos, vibra.

Com o roteiro ganhador do Oscar, escrito por Frank Pierson e muita improvisação por parte do elenco, consegue segurar o espectador até o último minuto do filme. O questionamento do filme é qual o limite da imprensa em julgar o fato, decidir quem é o bandido ou mocinho e transformar a história em um verdadeiro show.

Vivemos uma situação parecida na imprensa brasileira, há alguns anos, com o caso Eloah em Santo André. Até que ponto a imprensa é culpada da morte da garota e de fazer um verdadeiro espetáculo com os bastidores do crime.

Peter Finch como Howard Bale em "Rede de Intrigas" (1976)

Já em “Rede De Intrigas”, Lumet mostra os bastidores de uma rede de TV, onde o âncora Howard Bale (Peter Finch, ganhador do Oscar de Melhor Ator, sendo o primeiro ator a receber um Oscar póstumo) está prestes a ser demitido e avisa que no próximo programa cometerá suicídio. A audiência do programa sobe, os telespectadores ficam atentos ao que ocorrerá e os executivos se aproveitam da situação. O âncora vira um “profeta louco”, seu programa vira um verdadeiro show, sua loucura e sensacionalismo quase uma religião.

O filme mostra também a relação amorosa entre o ex- responsável pelo jornalismo da rede, que não concorda com a exposição de Bale, Max Schumacher (Willian Holden, sempre correto) e sua substituta, a inescrupulosa executiva Diana Christensen (Faye Dunaway, ganhadora do Oscar), que não terá nenhuma ética em aproveitar a loucura de Bale a seu favor.

Com diálogos afinados, escritos por Paddy Chayefesky, homem de televisão e Sidney Lumet realizando uma direção que começa limpa e suave e vai ficando mais intensa e suja conforme a loucura de Bale, "Rede De Intrigas” se mantém atual, mostrando a falta de moral e ética da mídia para obter lucros, o sensacionalismo barato de apresentadores que transformam a sua opinião medíocre e mentirosa em verdade, e questiona os telespectadores que se deixam banalizar pela televisão.

Uma visão profética sobre a comunicação ou a realidade de sempre?
Lumet com esses dois filmes feitos há quase quarenta anos, o tempo em que vivemos, talvez sejam as respostas para este paradigma.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

..:: Guardanapo ::..

Buenas...


Sou Diego Frederici e hoje estreio a coluna Guardanapo, aqui no Café do Bira.
A Guardanapo vem com a proposta de trazer ao público informações sobre o vasto mundo das histórias em quadrinhos.



Dos mais famosos, como as produções dos estúdios DC, Marvel Comics, da revista japonesa Shonem Jump, passando pelos Estúdios Maurício de Souza, aos mais simples, feitos muitas vezes por desenhistas amadores e fanzines, que se destacam pela qualidade dos textos ou desenhos, a Guardanapo trará a tona essa criativa e popular forma de comunicação, considerada como nona arte.

Bom, mas como tudo tem um começo, primeira peço permissão de lhes “introduzir” (no bom sentido!) no universo das histórias em quadrinhos com um breve relato sobre as origens de uma das manifestações mais contundentes da cultura pop.

ORIGEM (A long time ago...)

A origem das histórias em quadrinhos é controversa. No Japão, podemos considerar que os primórdios do manga – quadrinhos japoneses – teve início ainda no fim do século XVIII, pelo artista Katsushika Hokusai. Na época, Hokusai ficou tão famoso pelas gravuras, que retratavam paisagens e pessoas, que suas obras ficariam conhecidas como Hokusai Manga (Caricaturas de Hokusai).

No ocidente, a história é outra. Alguns estudiosos e artistas consideram os trabalhos da primeira metade do século XIX como o ponto inicial das histórias em quadrinhos, como é o caso do suiço Rudolf T. Pffer, em 1827. Outros artistas, ao longo do século XIX, também contribuíram para o desenvolvimento da HQ.

Porém, a grande sacada veio em 1895, com a criação do personagem Yellow Kid, de Richard Outcalt. O que diferenciou Outcalt dos outros artistas? A introdução de balões de fala aos personagens das histórias. Um revolução na nona arte.

O Brasil não ficou de fora e mostrou ainda na época um desenvolvimento precoce nas tiras e charges políticas por meio do italiano Angelo Agostini, que estreou em 1864 nas páginas do pasquim paulista Diabo Coxo.

Das origens até os dias de hoje a história em quadrinhos evoluiu, ganhando status de obra de arte e adaptações milionárias para os cinemas. Retratando o cotidiano de forma cômica, ou dramática, os quadrinhos firmaram-se com importante meio de comunicação no século XX. Mas isso é discussão pra outro tópico. Até lá, não darei mole e deixarei vocês na expectativa... Até a próxima!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

..:: Ressaca ::..

Futebol é o espelho da vida?


Estamos em plena Copa do Mundo, tudo é futebol... Na TV, rádio, conversas de botequim, enfim, é difícil ficar de fora, até quem não gosta acaba querendo dar algum palpite e escalar a sua seleção.

Dunga saiu muito criticado do Brasil por não levar esse ou aquele jogador.

Por conta disso, muitos brasileiros acabam torcendo por outros países.
Minha mãe por exemplo, vai torcer pela Argentina por que segundo ela o técnico do Brasil não soube convocar certo.

Mas será que é isso mesmo?

Não quero nem entrar no mérito se o Dunga é um bom ou mau treinador.
Vamos refletir se muitas vezes não caímos nas graças daquela seleção, técnico ou jogador devido à imagem que nos é projetada daquele ídolo. Ou se não queremos que aquele que admiramos seja a nossa imagem e semelhança?

Por exemplo, o jogador Kaká, outro dia ouvi, em um bar que estava tomando um café (risos) que ele é europeu demais.

Ouvi também que na seleção não tinha nenhum baladeiro convocado pelo Dunga.

Seria esta seleção a cara do técnico do Dunga e distante dos brasileiros comuns, no que diz respeito ao comportamento dos atletas?

O Ronaldo, Romário até o próprio Maradonda, são figuras que dentro de campo foram indiscutivelmente craques, gênios da bola!

Agora fora dele, nenhum pai gostaria de te-los como genros. Ou seja, vez ou outra estampam os noticiários onde estão envolvidos em confusões. Entretanto, são ídolos. Façam o que façam.

Teria nós brasileiro, identificação com jogadores que tenham problemas como pessoas comuns no dia-dia?

Seriamos uma espécie de jogadores, e a vida um grande palco onde os problemas possam ser vencidos com dribles.

Que muitas vezes acabamos fazendo gols impedidos por termos um país atrapalhado.

E os jogadores que por conseqüências da vida demonstram não ter dificuldade cotidianas, podem estar distantes demais do típico brasileiro? Não seriam autênticos?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

..:: Jukebox ::..

Ainda falando em Copa do Mundo na África, mais um nome:

Miriam Makeba


Sul-africana, Miriam Makeba é um dos grandes nomes da recente história da África e da luta contra o apartheid.

Começou sua carreira ainda jovem, mas tornou-se conhecida no festival de Veneza, em 1960. Miriam participou do documentário antiapartheid "Come Back Africa" então, teve sua nacionalidade revogada pelas autoridades sul-africanas.

Refugiou-se em Londres, depois Estados Unidos, onde passou a ser conhecida pela música Pata Pata, e alcançou o sucesso.

No entanto, por denúncias feitas ao regime racista, em 1963, Miriam Makeba teve suas músicas proibidas na África do Sul.

Com o fim do aparthied e a pedido de Mandela, retornou ao seu país de origem em 1992. Lá, continuo sua luta.

Em sua turnê de despedida, durante uma apresentação na Itália, Miriam sofreu uma ataque cardíaco e morreu no hospital, em 2008.

Morreu aos 76 anos de idade, e é lembrada como a mulher que lutou pela África e pela liberdade no negro. Luta pela qual pagou com 30 anos de exílio.


terça-feira, 15 de junho de 2010

..:: Jukebox ::..


Parangolé, de Hélio Oiticica

A boa música velha

Falar de música "velha" é tão atual quanto falar da música contemporânea se entendermos as muitas influências que existem no nosso processo histórico cultural.

Um dos principais movimentos de renovação na linguagem da música brasileira foi o Tropicalismo, movimento de vanguarda que trouxe ao país uma nova forma de fazer música. Mais livre, mais experimental e que pôde contar com diferentes elementos da arte, como a literatura, as artes plásticas, o teatro e o cinema. Todos em um só diálogo: o da renovação estética na cultura brasileira.

É importante lembrar que o Brasil, durante a década de 1960, tinha um discurso nacionalista, a guitarra elétrica, por exemplo, era um elemento que a cena artística da época queria evitar, de modo a fazer uma arte mais tradicional.

O Tropicalismo chegou para romper com esses padrões estéticos. A idéia era trazer ao Brasil um cenário mais complexo, com uma junção de aspectos artísticos que demonstrassem as diferentes faces da nossa cultura, então renegada. E, principalmente, a liberdade de criar.

Apesar de intenso, o Tropicalismo teve vida curta, apenas um ano, de 1967 a 1968, no entanto, deixou marcas perceptíveis nos dias de hoje.

Os primeiros indícios dessas marcas foram mais sintomáticas durante a década de 1970, quando surgiram os “herdeiros" do tropicalismo: artistas que traziam em suas obras um caráter mais experimental.

Assim, surgiram alguns nomes que, pela primeira vez na história da música popular brasileira, puderam misturar diferentes elementos em um só.

Na construção da música seja ela mais ou menos atual, existe um conjunto de aspectos que a definem, e esta coluna tem como objetivo discorrer sobre essa questão, mais precisamente, sobre o pós-tropicalismo, ou seja, o cenário musical de 1970 em diante.

Começa semana que vem. Fiquem ligados.